Muitas vezes, os pacientes que procuram a clínica, demonstram desconhecer que as lesões de pele são tratadas pelo cirurgião plástico quando se trata de aspecto cirúrgico. As considerações abaixo têm como objetivo esclarecer quanto a importância da identificação, assim como a correta avaliação e indicação do tratamento adequado.
A ação dos raios solares sobre a pele pode causar inúmeras lesões, que vão desde as manchas amarronzadas até o câncer de pele. O efeito é acumulativo e algumas pintas podem se degenerar, originando os tumores de pele. Pessoas jovens podem apresentar este tipo de problema, e uma das razões é a ação das radiações solares maléficas. Certos tipos de pele são mais sensíveis, mas sempre que desejarmos nos expor ao sol, torna-se fundamental a utilização de protetores (filtros) solares adequados. Os mais modernos são absorvidos pela pele, filtrando os raios UVA e UVB e amenizando seus efeitos.
É muito importante uma avaliação cuidadosa sempre que for notado o aparecimento de áreas escurecidas, ou com bordas elevadas. Pintas antigas, que, de repente, ficam mais escuras, sangram ou mudam de aspecto também devem ser imediatamente analisadas. Normalmente, a simples retirada destas áreas alteradas, feita sob anestesia local e com uma recuperação muito rápida poderá evitar problemas futuros sérios.
O traumatismo constante exercido sobre as lesões de pele, como por exemplo, ao se enxugar após o banho, em áreas onde a roupa ou correntes raspam com frequência, na região da barba, regiões de atrito, de pressão (alça do soutien), etc., podem sofrer degeneração. É comum a solicitação de exame anátomo-patológico da área ressecada, para que tenhamos um diagnóstico preciso da lesão e a necessária tranquilidade quanto a conduta correta. Queimar a verruga é um método utilizado somente em casos selecionados pois, com esta técnica, não saberemos se a eliminação completa do problema foi conseguida, além de não permitir o exame da peça para um diagnóstico apurado do tipo da lesão.
O conceito antigo de que não devemos mexer em uma verruga, pois isto acarretaria algum problema, não tem qualquer fundamento. As verrugas que existem desde a infância podem ser retiradas pelo aspecto estético, mas devem ser ressecadas quando sofrem uma alteração no seu tamanho ou cor. Os tratamentos caseiros podem ter consequência desastrosas. É também muito comum o aparecimento de cistos sebáceos - formados devido ao entupimento do canal da glândula sebácea (responsável pela formação da oleosidade da pele). Esta se encontra na profundidade e, não conseguindo eliminar o sêbo que forma, vai inchando e provoca uma elevação na superfície.
Os locais de maior incidência são a face e a região do dorso. Quando se inflamam, causam o abcesso, área avermelhada e dolorosa. Nunca devemos expremer estes cistos, com o risco de causar uma infecção no local, além do que, se não for retirada a sua cápsula, outro cisto se formará no mesmo local. Quando há eliminação da secreção interna desta glândula por um orifício na pele, geralmente é exalado um odor desagradável. Nos casos de cistos na face (acne), expremer as lesões não é aconselhável, pois esta atitude irá gerar uma depressão no local, ficando a pele do rosto, ao longo do tempo, com irregularidades acentuadas. Para estes casos, existem vários tratamentos, sem que sejam gerados efeitos estéticos indesejáveis, como por exemplo o peeling químico.
Lembre-se: prevenir é sempre a melhor opção e os recursos da cirurgia plástica permitem tratamentos com os melhores resultados tanto no aspecto funcional como estético. Quanto maior a lesão, mais difícil a sua retirada. Logo, o ideal é que possamos agir precocemente.
Dr. Sylvio Corrêa da Silva Jr.
Membro Titular e Especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
Médico-Chefe do Serviço de Cirurgia Plástica e Queimados da Santa Casa de Misericórdia de Santos